sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Espadas Lendárias - lista de espadas históricas famosas

Paladinos de Carlos Magno
Carlos Magno - inspiração do imaginário medieval
Aventureiros da história, caríssimos:

Você já ouviu falar de Excalibur a famosa espada do Rei Arthur? Ou a Orcrist de Thorin Escudo-de-Carvalho? Ou Andúril, a espada sagrada usada por Aragorn pra derrotar Sauron? Saiba que essas e muitas outras espadas famosas da ficção tiveram origem na história:

Boa parte do Imaginário medieval acerca de Cavaleiros Heroicos e Espadas Mágicas advém de Carlos Magno e seus doze pares imortalizados pela Canção de Rolando. 

A palavra "Paladino" caracteriza o herói cavalheiresco, errante e destemido, de caráter inquestionável que segue sempre o caminho da verdade, lei e ordem, sempre disposto a proteger os fracos e lutar por causas justas. Os paladinos originais foram os 12 pares de Carlos Magno.

1 - Joyeuse: Carlos Magno

Espada Sagrada da França
Joyeuse - Espada Sagrada da França

Espada de Joyeuse, que atualmente encontra-se no Museu do Louvre em Paris, é uma das mais famosas espadas de todos os tempos. 
Registros históricos relacionam a espada com o reinado de Charlemagne (Carlos Magno), o Grande, Rei dos Francos. Se ela realmente pertenceu ao famoso Rei que governou a França há cerca de 1200 anos atrás não é possível precisar, mas sem dúvida é uma arma digna de um monarca. A Espada de Joyeuse teria sido usada em incontáveis cerimônias de coroação, sua lâmina tocando o ombro e a testa de monarcas franceses, como uma forma de transmitir o direito de governar com o aval de Deus. A espada é cercada por mitos e lendas ancestrais que atestam ser ela dotada de muitos poderes mágicos.
Rei Sol e a Espada Sagrada da França
Luis XIV - O Rei Sol posando com a Joyeuse
A mais antiga menção a Joyeuse data do ano de 802. Segundo a lenda a espada, cujo nome significa "Rejubilante" em francês, foi forjada pelo famoso ferreiro Galas, que levou três anos para completar seu trabalho. Durante a construção, Galas teria recebido em sua oficina indivíduos que supostamente infundiram no metal propriedades místicas que tornaram a arma mágica. As lendas sobre essas propriedades mágicas são muitas. Uma das mais antigas estórias afirma que a lâmina quando erguida por um rei valoroso resplandece com um brilho tão forte que é capaz de cegar os inimigos em batalha. "O brilho de uma dúzia de sóis", escreveu um cronista medieval. Há também a crença que a espada protege seu portador contra venenos e doenças tanto naturais quanto mágicas. A espada seria capaz de romper maldições e malefícios e apontar na direção de qualquer um que conspira contra o rei. 
O Imperador Charlemagne, teria recebido a espada como presente quando retornava da Espanha. Ele foi procurado por Galas e outros três homens misteriosos que desejavam uma reunião particular com o rei. Os homens teriam feito algumas perguntas para avaliar a honra e a lealdade do monarca e uma vez satisfeitos com as respostas, lhe entregaram a espada como presente. 
Charlemagne (742-814), também chamado de Carlos Magno, foi o governante dos Francos e um dos mais influentes Imperadores Cristãos do Ocidente. Ele foi uma das principais personalidades de sua época, ajudando a definir o formato da Europa Medieval ao presidir o período que ficou conhecido como Renascimento Carolíngeo. Após a queda do Império Romano, ele foi o primeiro a reunir a Europa Ocidental sob um mesmo Império. Carlos Magno governou um vasto reino que incluía terras nas atuais França, Alemanha, Itália, Austria e os Países Baixos, foi ele quem consolidou o cristianismo ao longo de seu império, empreendendo para isso conversões forçadas. Suas realizações no campo militar frequentemente envolviam extrema brutalidade, como por exemplo a ordem de decapitar mais de 2,500 chefes tribais francos e saxões. 
Uma balada do século XI, escrita por Roland, narra a épica Batalha de Roncevaux em 778, e descreve o Rei cavalgando para o combate com Joyeuse:
"(Charlemagne) vestia uma armadura brilhante e uma tabarda branca imaculada com seu símbolo de armas no peito. Na cabeça um elmo com pedras incrustadas e filigramas de ouro; na cintura pendia Joyeuse, a espada inigualável. Quando tirada da bainha, sua lâmina mudava de cor. Os homens bradavam confiantes quando ele passava à caminho da guerra". 
Certo dia, durante uma grande batalha, Charlemagne alegadamente perdeu Joyeuse e prometeu uma recompensa para quem a encontrasse. Após várias buscas infrutíferas, empreendidas por nobres e cavaleiros, um humilde soldado descobriu a arma caída no campo coalhado de mortos. Ele a trouxe para o Rei e prostado de joelhos a entregou. Na ocasião, o Imperador teria feito um juramento solene: "Neste local será construída uma cidade da qual você será o lorde e senhor, e seus descendentes receberão o nome de minha magnífica espada". Em seguida, Charlemagne teria ordenado a construção de uma cidade naquele ponto. De acordo com as lendas, essa é a origem da cidade francesa de Joyeuse in Ardéche, nomeada dessa forma por decreto do rei. 
|Não existem registros históricos que atestem o que aconteceu com a Espada Joyeuse após a morte de Charlemagne. Entretanto em 1270, uma espada identificada como a verdadeira Joyeuse foi usada na cerimônia de coroação do Rei francês Phillip, o ousado, que foi sagrado na Catedral de Reims. A espada teria ficado sob a proteção do Monastério de Saint-Denis, que possui um famoso cemitério que recebe os restos mosrtais dos Monarcas Franceses. Lá ela teria permanecido sob a proteção dos monges até 1505.
Joyeuse foi levada para o Louvre em 1793, após a Revolução Francesa. Ela teria sido encontrada nas câmaras do tesouro do Palácio Real e reclamada pelas autoridades revolucionárias com um símbolo. Rumores atestam que ela por pouco não foi destruída, visto que representava um símbolo da monarquia recém derrubada, mas ao invés disso ela foi posta em exposição. Ela foi usada novamente em 1824 na coroação de Carlos X e é a única espada utilizada oficialmente para a coroação de Reis da França desde os tempos medievais.  
Atualmente, a arma que acredita-se ser Joyeuse está em exposição no Louvre atrás de uma parede de vidro à prova de balas. Ela é uma típica espada de lâmina larga, condizente com as armas que eram forjadas no século XII. Há no entanto algumas partes que datam de outros períodos: a empunhadura por exemplo é do século X ou XI, a bainha de veludo é do século XII e a cruz dourada usada como guarda mão é reminiscente do século XIII. É provável que a espada tenha recebido o acréscimo de partes de outras espadas ao longo dos séculos, uma prática relativamente comum. As pedras e jóias cravejadas que adornam a espada e sua bainha foram inseridas por diferentes governantes.
A espada de Joyeuse talvez seja uma das armas mais famosas do mundo, um artefato excepcional ligado intimamente a história da França. Visualmente deslumbrante, a espada se tornou o modelo padrão de espada que se imagina, quando se fala de espadas medievais.  

2 - Durendal: Roland


Como descrito em várias obras da chamada Matéria de França, Durendal é a espada do conde Roland (em italiano, Orlando), recebida de Carlos Magno quando de sua investidura como cavaleiro, aos dezessete anos de idade. De acordo com o poema Orlando Furioso de Ludovico Ariosto, ela pertencera outrora a Heitor de Troia, e tinha sido dada a Rolando por Malagigi (Maugris).
No poema épico A Canção de Rolando, afirma-se que a espada contém, em seu punho de ouro, um dente de São Pedro, sangue de São Basílio, um fio de cabelo de São Denis e um fio da capa da Virgem Maria. No poema, ao perder o seu cavalo, Vigilante ("Veillantif"), e perceber que está ferido de morte numa emboscada dos sarracenos, Roland tenta destruir a espada para impedir que ela seja capturada. Como a espada prova-se indestrutível, Roland esconde-a então sob seu corpo, junto com o olifante, o instrumento usado para alertar Carlos Magno.

Roland recebe Durendal de Carlos Magno

Segundo conta a lenda, Roland teria detido um exército de mil homens com ela. Essa, que aparece na foto, é, supostamente, a Durendal original, guardada em um monastério de Rocamandour, na França.

3 - Tizona: El Cid



Considerado um dos melhores cavaleiros da Idade Média, Rodrigo Díaz de Vivar – mais conhecido como “El Cid” – nasceu em uma pequenina cidade do Reinado de Castile, um dos impérios medievais da Península Ibérica. Em determinado momento de sua vida, Cid foi nomeado como general do exército de Alfonso VI e se tornou um verdadeiro herói espanhol.

Embora tenha usado uma infinidade de espadas durante sua “carreira”, a mais famosa de todas é a Tizona, preservada até hoje no Museu de Burgos, na Espanha. Foi com essa arma – que mede 103 cm e pesa 1,1 kg – que o guerreiro lutou contra os mouros. A lâmina possui duas inscrições: uma listando sua data de fabricação (1002) e outra citando a oração Ave Maria.


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