sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Pedras portuguesas - calçada histórica e tradição

As pedras portuguesas se caracterizam por ser irregulares e rústicas e, normalmente, sua composição é de calcário e basalto. Elas são encontradas, mais comumente, nas cores preta e branca, embora sejam populares também o marrom ou bege, amarelo e vermelho. Em certas regiões brasileiras, também é possível encontrar pedras em azul e verde

A calçada portuguesa, conforme a conhecemos, foi empregada pela primeira vez em Lisboa no ano de 1842. O trabalho foi realizado por presidiários (chamados "grilhetas" na época).

Como o próprio nome já indica, as pedras portuguesas se originaram em Portugal, no século 19 e foram amplamente usadas nesse país no calçamento de áreas exclusivas para pedestres, em parques, praças e pátios, por exemplo, demonstra a arquiteta Estela Netto. As sócias da VS Design, Fabiana Visacro e Laura Santos, explicam que, naquele país, os profissionais responsáveis pela instalação deste tipo de revestimento recebem o nome de "mestres calceteiros". “Com o terremoto de 1755, a consequente destruição e reconstrução da cidade de Lisboa possibilitou a primeira utilização deste material tão conhecido nos dias de hoje, que aliava estética e bom custo”, complementam. 

No Brasil, estas pedras foram muito utilizadas no paisagismo do século 20 devido à sua flexibilidade de montagem e de composição plástica, continua Estela Netto. “Um exemplo clássico de seu uso, conhecido no mundo todo, é o calçadão de Copacabana, obra de Roberto Burle Marx, no Rio de Janeiro” (acima).

Outro exemplo se sua utilização no Brasil são as calçadas da Avenida Atlântica, também no Rio, revestidas com pedras importadas de Portugal, lembra Selma de Sá. “Mais tarde foram descobertas enormes jazidas de material muito parecido com o calcário branco e o basalto negro trazidos de Portugal, próximas à região do Rio de janeiro, e atualmente o Paraná é um dos maiores fornecedores.” 

As pedras portuguesas sempre imprimem charme e diferencial onde são usadas, podendo conferir aos espaços um ar mais rústico, retrô ou contemporâneo, de acordo com a ambientação. 


De formato cúbico, geralmente nas medidas 5cm X 5cm, 6cm X 6cm ou 7cm X 7cm, a instalação da pedra portuguesa é feita quase que artesanalmente, uma a uma, e exige mão de obra qualificada, explica a arquiteta, paisagista e urbanista Flávia Ralston. No piso, a colocação pode ser feita com cimento e areia ou diretamente no solo, dispensando o contrapiso.



A Pedra Portuguesa é fácil de ser cortada e, depois de encaixadas, elas devem ser niveladas para o piso não ficar irregular. Essa é uma dificuldade”, ressalta.



Encontradas em depósitos de construção, em lojas especializadas de revestimento ou em marmorarias, em relação ao custo do material, ele varia muito de região para região, mas fica entre, aproximadamente, R$ 40 e R$ 62 o metro quadrado, sendo que apenas a mão de obra fica em torno de R$ 130 o metro quadrado, podendo chegar a um custo final de até R$ 250. “Antigamente, existiam várias pessoas que trabalhavam com a colocação deste tipo de pedra, que era mais barata. Mas essa tradição foi se perdendo com o tempo, e hoje a maioria destas pessoas já são mais velhas e não passaram o saber para as últimas gerações. O trabalho de instalação é minucioso e demorado, não dá para ir apenas jogando as pedras. A mão de obra, então, deve ser altamente qualificada e está mais escassa, portanto atualmente é muita cara, com valor quase o dobro do material em si”, diz Flávia Ralston. A manutenção é simples, continua a profissional. Deve ser feita apenas com pano úmido com o cuidado, na hora da aplicação, para não sujar o material com cimento.

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