domingo, 10 de maio de 2026

João Guedes Pinto - recortes de jornal

 No Órgão Oficial dos poderes do Estado de Minas Gerais publicado em Ouro Preto em 10 de Fevereiro de 1893 pode-se ler, na página 2 o seguinte: 


"Guarda Nacional

Á Delegacia do Thesouro Federal, neste Estado, foram remettidas as patentes dos seguintes officiaes da Guarda Nacional:

Comarca de Palma

Dr. Matheus Nogueira da Gama, Firmo de Araújo Pereira, Bernardo Fernandes de Magalhães, João Guedes Pinto, Dr. Theophilo Tavares Paes Junior e José Francisco da Silveira Carvalho." 


No mesmo Órgão Oficial ficamos sabendo na publicação do dia 3 de Maio de 1983, na página 4, que patente meu trisavô recebeu:

Guarda Nacional

"O Diario Official de ante hontem publica a nomeação da Guarda Nacional da comarca de Bomfim, Oliveira e Palma. 
- Foi reformado no posto de Major o Capitão da Guarda Nacional da Comarca de Oliveira , Adolpho Ribeiro da Silva Castro
- Foram aggregados ao commando superior da Villa de Palma: tenente-coronel, José Francisco Silveira Machado, major João Guedes Pinto, Capitão Bernardo Francisco Magalhães, major dr. Magalhães Nogueira da Gama."



Seu irmão, Antônio Guedes Pinto, ao que parece, foi collector de rendas de Muriaé, também foi subdelegado e comprou a patente de tenente da Guarda Nacional. 

Já o jornal O Pharol de Juiz de Fora de 26 de Dezembro de 1900 confirma, na página 2, uma informação que me deixa extremamente feliz:

"Está se construindo em Cysneiro uma capella de N. S. da Conceição. As obras estão sendo executadas com presteza, devido aos esforços do Dr. Bernardo da Costa Reis e das commissões que também tem muito contribuído para que em Cysneiro se veja, em breve, um templo sob a invocação da SS. Virgem. A imagem da padroeira da Capella acha-se depositada em casa do sr. major J. Guedes Pinto. É em cedro e muito perfeita, mede 1 metro 65 centímetros de altura custou 1.000$000 e foi offerecida pela exma família do sr. dr. B. Costa Reis, bem como diversas toalhas de linho para o altar, uma rica alva, corporaes, amictos e algumas ricas palmas e ramalhetes de flores artificiaes."



O senhor Targínio Pereira da Silva envia ao jornal O Pharol em 25 de Março de 1915 e também para a Gazeta de Leopoldina gentis e elogiosas palavras ao meu trisavô o major João Guedes Pinto:




O Jornal "O Leopoldinense" de 15 de Outubro de 1882 trouxe a seguinte notícia:

"Tapirussú

Em um dos dias da semana que decorreu de 17 a 24 do corrente entre um hespanhol e um portuguez resultando aquele disparar sobre este dous tiros. O crime deu-se junto a barca do Rio Pomba, em terras pertencentes ao Sr. Capitão José da Costa Mattos que não só apartou os contendores como encarregou-se do tratamento do offendido. O offensor logrou evadir-se."

E meu tetravô, além de por fim ao conflito, no mesmo recorte de jornal, ainda noticia o batismo do neto:

Philantropia - no dia 23 o Reverendíssimo Padre Manoel Lopes Monteiro, baptisou um recem-nascido, filho de J. Guedes Pinto, negociante estabelecido no arrayal de Tapirussu, ao qual pôz o nome de Albucassis, por assim lhe exigirem os padrinhos, assistentes ao acto, o sr. Pedro Renaut e sua exma. esposa a senhora D. Balbina de Magalhães Renaut. 
Nesta occasião o Sr. José da Costa Mattos (avô do baptizando) entregou a carta de liberdade a sua escrava Anna, parda, para commemorar o acto celebrado, deixando assim transparecer os nobres sentimentos, de que é dotado seu benéfico coração. 



No mesmo jornal O Leopoldinense o meu trisavô comunicou uma promoção de seus produtos e convocou os devedores a liquidarem seus débitos 




O Jornal O Mediador de 6 de setembro de1896 mostra um conflito com seu concunhado:




quarta-feira, 19 de junho de 2019

"Democracia em Vertigem" e a guerra cultural - por Igor Guedes

O documentário "Democracia em vertigem" de Petra Costa, cineasta mineira de 35 anos, estreou nesta quarta, 19, buscando construir uma narrativa acerca dos últimos acontecimentos políticos do Brasil. 

Neta dos fundadores de uma das maiores construtoras do país: a Andrade Gutierrez, e filha de dois ativistas políticos de esquerda dos anos 70, a diretora narra os fatos a partir da perspectiva de uma militante desiludida com a derrota democrática.

O documentário utilizou-se fartamente de recursos audiovisuais para endossar sua narrativa e conduzir o telespectador por uma suposta decadência do processo democrático brasileiro. Nas entrevistas de rua, o foco das filmagens eram sempre as figuras mais caricatas, tomadas sob uma perspectiva maniqueísta.  

De um lado, saltam aos olhos o homem branco, de meia idade, vestindo a camisa da seleção brasileira, pedindo o fim da democracia, clamando pela volta dos militares e destilando preconceitos. Desaparecem os cartazes contra a corrupção, daqueles que pediram o equilíbrio das contas fiscais, dos que questionaram o financiamento dos portos e obras faraônicas em países governados por ditaduras africanas e latino-americanas. Desaparecem os bilhões devolvidos aos cofres públicos pela Lava Jato e o ineditismo que contraria o cerne do discurso da esquerda: não eram apenas pobres e pretos sendo presos pela polícia, finalmente, assistíamos empresários e políticos pagando por seus crimes. 

Por outro lado, nas manifestações pró-PT, emergem as lágrimas e a emoção genuína. O foco são os manifestantes que enxergam em Lula um redentor, uma figura paterna, amável e imaculada de bondade e ternura. Há uma, em particular, de dois pipoqueiros fugindo do gás lacrimogêneo: o ranger da roda do carrinho de pipoca, a expressão simples e sofrida são comoventes e atendem ao interesse da construção narrativa. 

A imagem que emerge é do negro, pobre, desiludido com o jogo sujo da estrutura de poder que afastou, injustamente, uma presidente honesta e prendeu um homem de bem. Desaparecem as vultosas somas de dinheiro desviadas pelo PT e aliados. O "golpe" parece ter sido movido por uma elite branca amargurada pela ascensão do mais pobre.

Propondo-se analisar a fragilidade da democracia brasileira, o documentário esquece de contemplar o maior atentado contra o processo democrático de 2018, a tentativa de assassinato de Jair Bolsonaro, arquitetado por um militante de esquerda na véspera das eleições.

Ao final, a esquadrilha da fumaça corta os céus da Esplanada dos Ministérios enquanto Michel Temer passa a faixa presidencial para Jair Bolsonaro, sob uma trilha sonora carregadamente sombria e melancólica. Caso fosse filmada em preto e branco, lembraria a ascensão do partido Nazista enquanto a Luftwaffe sobrevoa os céus de Berlim. Em contraste com a imagem de pessoas humildes em lágrimas e pipoqueiros fugindo de gás lacrimogêneo, a esquadrilha parece prestes a pulverizar as periferias do país com gás Zyklon B, atendendo aos anseios do "governo fascista recém eleito e da elite branca e preconceituosa que o conduziu ao poder". 

O fato, entretanto, é que assistimos, nas duas últimas décadas, um processo eleitoral regular, legítimo, ininterrupto e que ocorreu sob a supervisão de instituições democráticas sólidas, fiscalizadas por uma imprensa livre e sob o olhar atento de uma população profundamente dividida. Foi, aliás, a solidez desse sistema que permitiu que presidentes ideologicamente opostos, tomassem posse e se sucedessem no palácio do planalto sem rupturas do tecido social.

Sendo assim, o título grandiloquente: "Democracia em Vertigem" confunde democracia com partidarismo. Petra Costa interpreta a quebra do discurso hegemônico da esquerda como um risco para a democracia.

O processo democrático segue intacto, o orgulho da esquerda é que está trincado.