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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Bispos de São Sebastião do Rio de Janeiro durante as visitações Eclesiásticas às Minas do Ouro

Dom Francisco de São Jerônimo
3º Bispo de São Sebastião: Dom Francisco de São Jerônimo, da Congregação de S.João Evangelista, n. em Lisboa, nomeado em 1701, fal. no Rio em 7 de Janeiro de 1721, com 83 anos.O seu brasão é de formato oval.

Cônego secular da Congregação de São João Evangelista, natural de Lisboa. Confirmado pelo Santo Padre Clemente XI, por bula de 6 de agosto de 1701; foi sagrado a 27 de dezembro de 1701, pelo bispo de Vizeu, D. Jerônimo Soares, chegando ao Rio de Janeiro em 8 de junho de 1702, tomou posse no dia 11 do mesmo mês. Faleceu nesta cidade no Palácio da Conceição a 7 de março de 1721, com 83 anos de idade, sendo sepultado na capela da residência episcopal.

Foi responsável pela construção do Palácio dos Bispos no morro da Conceição onde, à partir de 1702, os prelados fluminenses passaram a risidir desde então.
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Dom Frei Antonio de Guadalupe
4º Bispo: Dom Frei Antonio de Guadalupe, Franciscano, n. em Amarante, Portugal, e nomeado em 1725, transferido para Viseu, Portugal, em 1740, fal. em Lisboa, em 31 de Agosto de 1740, com 68 anos.No seu brasão figuram as armas de São Francisco, da Ordem Franciscana.
Este título foi confirmado por bula do Papa Bento XIII de 21 de fevereiro de 1725; foi sagrado na Sé de Lisboa pelo Cardeal Patriarca D.Tomás de Almeida, em 13 de maio do mesmo ano. Chegando ao Rio de janeiro, em 2 de agosto de 1725, nesse mesmo dia tomou posse do bispado por seu procurador o Deão da Sé, Gaspar Gonçalves de Araújo, e dois dias depois fez sua entrada solene na Catedral, em 4 de agosto de 1725. Transferido para a diocese de Viseu, em Portugal, por carta régia de 12 de fevereiro de 1740, partir do Rio de Janeiro em 25 de maio seguinte, falecendo em Lisboa a 31 de agosto desse ano, aos 68 anos de idade. Este prelado fundou o Seminário de S. José e os Orfãos de S. Pedro.
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Dom Frei João da Cruz
5º Bispo: Dom Frei João da Cruz, Carmelita Descalço, n. em Lisboa, nomeado em 1740, renunciou em 1745 o Bispado do Rio e foi transferido, em 1750, para a Diocese de Miranda, em Portugal, onde fal. Em 20 de Outubro de 1756, com 62 anos.No seu brasão figuram as armas da Ordem do Carmo, na parte superior.
Este título foi confirmado pelo Santo Padre Clementino XII, em 1740, foi sagrado em 5 de fevereiro de 1741, na Sé de Lisboa, pelo Cardeal Patriarca D. Tomás de Almeida. Aportou no Rio de Janeiro em 3 de maio de 1741, e nesse mesmo dia, tomou posse do Bispado, por seu procurador o Deão da Sé Gaspar Gonçalves de Araújo, fazendo a sua entrada solene na Catedral a 9 do mesmo mês.Foi este prelado quem lançou a primeira pedra do Convento da Ajuda.Renunciando o bispado, partiu do Rio de Janeiro a 14 de outubro de 1745 com destino a Lisboa.Sendo aceita a renúncia foi transferido para a diocese de Miranda, em 1750 e lá faleceu a 20 de outubro de 1756, com 62 anos de idade.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Caminho Novo e Caminho dos Diamantes

Introdução sobre o Caminho Novo

O início de nossa jornada nos leva a um dos mais notáveis  empreendimentos do Brasil colonial: a implantação de uma estrada permanente indo do interior da Capitania das Minas Gerais, berço do ouro e das pedras preciosas, até o porto do Rio de Janeiro, de onde estas riquezas eram embarcadas para Lisboa. 
  • Em 1704, Garcia Rodrigues Paes, com saúde e fortuna arrasados por anos de trabalho extenuante, passou a tarefa de conclusão da nova rota para seu cunhado Domingos Rodrigues da Fonseca.
  • Somente em 1709 o Caminho Novo passou a ser utilizado regularmente por tropeiros, encurtando o tempo de viagem de 100 para 25 dias. Nesta época, o Caminho do Ouro passou a ser conhecido como "Caminho Velho".
  • Em 1725, Bernardo Soares Proença criou uma variante passando pelo Alto da Serra, próximo onde hoje fica Petrópolis, ao invés de ir por Xerém e Pati do Alferes. Esta mudança encurtou a jornada para "apenas" 21 dias.
  • Bernardo Proença recebeu pelo seu trabalho uma sesmaria no Alto da Serra, onde hoje está quase toda a cidade de Petrópolis.
  • Proença também construiu o Porto da Estrela onde hoje é a Praia de Mauá nos fundos da Bahia da Guanabara, que se tornou logo uma importante vila e depósito de mercadorias, hoje em ruínas, mas que ainda pode ser visitado. 
Sempre interessou-me saber em que condições ocorriam as viagens durante o século XVIII e primeira metade do XIX. Como era o conforto e condições gerais dos poucos à beira dos caminhos? Que tipo de comida era servida? Quanto tempo era gasto em cada percurso? Quais as distâncias de cada trecho?

De acordo com o Jesuíta Antonil, após a abertura do caminho novo  era possível percorrer o trecho de Vila Rica até o Rio de Janeiro “em dez até doze dias, indo escoteiro quem for por ele.” (ANTONIL, 1997.  p. 186) O relato do atencioso inaciano me parece um tanto quanto otimista. É possível que com trocas de animais regulares e bom tempo (seco) o caminho pudesse ser percorrido em doze dias. No entanto, as chuvas de Novembro até Março tornavam todo o processo lento e arrastado.

John Mawe nos informa que, para percorrer os 910 quilômetros que separavam Vila do Príncipe (atual Serro) até o Rio de Janeiro, três cavaleiros levaram exatos 28 dias (MAWE, 1978. p. 107).


Porto Estrela - Rugendas
O Porto da Estrela era o início da variante do Caminho Novo que subia a Serra do Mar atravessando a exuberante Serra Velha, a partir da Raiz da Serra. 

Foi no início dessa subida que o Barão de Langsdorff construiu sua Fazenda da Mandioca, que era um verdadeiro centro de pesquisa russo-alemão encarregado de “descobrir” o Brasil e investigar a natureza tropical. 

Chegando ao Alto da Serra, a variante de Proença ia para onde hoje é a Rodoviária de Petrópolis.
Dali os tropeiros seguiam então para as Minas Gerais pelas ruas Silva Jardim, Quissamã, Correias e Secretário, até encontrar o Caminho Novo em Paraíba do Sul. 

Até hoje existe uma Estrada Mineira, em Correias e um bairro Caminho Novo com a rua Caminho Novo, em Barbacena, antigos trechos da histórica trilha. Segundo o Registro de Paraíba do Sul, um tipo do nosso pedágio de hoje, em 1824, a cada dia, indo e vindo do interior, passavam em média pelo Caminho Novo 143 mulas dos tropeiros e 302 pessoas. 

Por ela também passaram os importantes naturalistas-viajantes dos anos 1800 como Spiz, von Martius, Saint Hilaire, Walsh, Freireys e muitos outros que, como o Barão de Langsdorff, queriam conhecer o novo país para informar os seus governos. 

Em 9 de abril de 1781, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, foi nomeado como Comandante do Destacamento do Caminho Novo com o objetivo de construir uma variante no caminho de Vila Rica para o Rio de Janeiro. Em 26 de junho de 1781, Tiradentes iniciou as picadas com a pequena tropa e mais oito escravos pertencentes ao Tenente Coronel Manoel do Vale. Após alguns meses de muitas dificuldades, chegaram ao local onde foi instalado o Quartel de Porto de Meneses onde Tiradentes permaneceu destacado como comandante da tropa militar de guarda do novo caminho.