quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Estrada Real - dois caminhos



O caminho novo e o caminho velho do ouro, ao entrar em Minas, se aproximavam até se unirem na altura de Conselheiro Lafaiete. Na parte inferior da Serra da Mantiqueira a mata era fechada. Já no Campo das Vertentes, região que abrange São João del Rei e Barbacena, só existia mata nas margens dos rios, as chamadas matas ciliares. As demais áreas do campo eram cobertas por vegetação rasteira, com árvores esparsas.

Esta condição lhe parece ter favorecido o surgimento de várias trilhas, anteriores à abertura dos Caminhos Velho e Novo, resultando em que ambos tenham sido, na verdade, o alargamento de vias já existentes. Ressaltou que o índio, por não conhecer o cavalo, teria aberto trilhas bem estreitas. Advindo a necessidade de transporte de carga, em lombo de animais, tornou-se imperioso transformar aquelas picadas em passagens que permitissem o trânsito de um animal com cargas dispostas dos dois lados.

Citou os viajantes estrangeiros que passaram pela região nos séculos XVIII e XIX, buscando responder a curiosidade dos europeus. A partir da vinda da Família Real Portuguesa em 1808, surgiram as expedições científicas, com objetivos mais específicos.

Outros mapas foram apresentados. Um deles, do final do século XIX, com as condições geológicas de Minas. Em seguida um mais recente, já contando com a tecnologia da fotografia aérea.

A imagem de um rancho despertou curiosidade na plateia, sendo explicado que era uma cobertura de sapé sobre quatro esteios que servia para abrigar os viajantes. Os estrangeiros reclamavam do desconforto e dos bichos de pé e carrapatos, além do hábito dos tropeiros de cantarem durante a noite inteira depois de passarem o dia todo trabalhando duro.

Francisco Rodrigues de Oliveira explicou também que o proprietário construía o rancho a pequena distância de sua casa, onde só se hospedavam as autoridades que por ali passassem. Para os demais, que ficavam debaixo daquela cobertura, nada era cobrado pela estadia, mas pela venda de alimentos, especialmente o milho para os animais.

Em seguida discorreu sobre a forma como eram desenhados os mapas no final do século XIX. Chamada triangulação, consistia em alcançar um determinado ponto elevado que permitisse a visualização de outro ponto de mesma altitude. Medindo-se a distância entre os dois pontos, através de um aparelho de medição de ângulos era possível completar o terceiro lado do triângulo. Fazia-se, então, um levantamento de detalhes da área medida. De cada triângulo composto partia-se para suas interseções.

Foi citada a Várzea do Marçal, localidade próxima a São João del Rei, que foi o ponto de início da medição naquela região. E explicando como o trabalho era realizado, Francisco Rodrigues de Oliveira destacou que os encarregados da operação eram engenheiros dos quais se exigia também boa capacidade de expressão gráfica para registrar em papel os componentes encontrados. Além disso, havia uma turma para fazer a medição linear entre dois pontos e outra turma fazendo a mesma medição no caminho inverso, tirando-se a média dos dois resultados encontrados.

Além de Cunha Matos, o cronometrista do Caminho Novo, Francisco Rodrigues de Oliveira mencionou em sua palestra os viajantes Antonil, Tavares de Brito, Costa Matoso, Saint Hilaire, Langsdorff e Richard Burton, personagens que passaram pela região e com suas descrições contribuíram para que as informações chegassem até nós.
A Capela de N. S. do Carmo ou de Santa Quitéria, construída durante o século 18, está localizada no alto de uma colina.
A 12 Km de Catas Altas, destacam-se na paisagem as ruínas de um grande aqueduto de pedra, construído com o objetivo de abastecer a cidade ou a mineração. Atualmente, existem cerca de 100 metros do monumento, que tem, ao centro, um portal com a inscrição da data de construção - 1792. Incrustada em uma das laterais do potal, existe uma escadaria que dá acesso à parte superior do aqueduto.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Linhas de Nazca e Geoglifos encontrados no Acre

Olhando do solo, nada mais que linhas riscadas sobre as planícies rochosas do deserto peruano. Mas observando do céu, um mistério para o homem moderno. Desde a sua descoberta em 1927, os desenhos gigantes do solo de Nazca deixam perplexos qualquer turista. É impressionante a imensidão das linhas, que formam imagens curiosas. Um colibri, uma aranha ou uma flor. O curioso é saber como uma civilização formada antes da Era de Cristo conseguiu fazer essas obras de arte.

Gigantes figuras geométricas, humanas, animais e plantas estilizadas, algumas com mais de 300 metros. As figuras são tão grandes, que só podem ser vistas sobrevoando a região. E é ai que mora o mistério de Nazca. As sociedades que ali viveram entre 300 a.C e 800 d.C desconheciam as técnicas do vôo. Outros enigmas que intrigam os pesquisadores, é a finalidades dos desenhos, e quais os seus significados. A idéia mais conhecida da região, é a da alemã Maria Reiche, a “dama do deserto”, como é popularmente chamada. A cientista dedicou a vida aos estudos dos geoglifos, e afirmava que se tratava de um imenso calendário astronômico e agrícola, onde a população de Nazca podia identificar as estações do ano e a melhor época para os seus cultivos.

No Brasil os desenhos chegam a ter 100 metros de diâmetro, e sua borda é desenhada em grandes valas, de 12 metros de largura por quatro de profundidade. Por uma ironia, só se conseguiu descobrir esses desenhos por causa do desmatamento, que “limpou” grandes áreas, deixando evidentes as formas geométricas.fos também estão sendo encontrados. São desenhos mais simples: círculos, quadrados e octógonos gigantes feitos há pelo menos mil anos marcam o chão do Acre. Desde a década de 1970, quando foram descobertos, eles intrigam os arqueólogos, que ainda não conseguiram entender para que eram usadas essas estruturas, chamadas de geoglifos.

Quando o primeiro geoglifo foi descoberto, não se sabia que as valas formavam um desenho, e que havia tantos ali. Hoje, com a ajuda de aviões e imagens de satélite, já foram identificados cerca de 200. “Acho que já descobrimos em torno de 10%”, estima o cientista Alceu Ranzi, integrante da equipe que descobriu os geoglifos.

Com a chegada dos mapas virtuais, que utilizam imagens de satélite em alta resolução, os desenhos ficaram evidentes, e até os próprios cientistas puderam encontrar mais estruturas desse tipo. Veja, abaixo, alguns exemplos de como os desenhos milenares se espalham pelo chão do Acre.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Primeira Diocese das Américas completa 500 anos


Neste dia 8 de Agosto de 2011, a arquidiocese de Santo Domingo, na República Dominicana, concluiu as celebrações jubilares pelo aniversario de 500 anos da sua fundação, feita pelo Papa Júlio II, em 8 de agosto de 1511. Uma missa, presidida pelo arcebispo emérito de Sevilha (Espanha), cardeal Carlos Amigo Vallejo, encerrou as comemorações.

O papa Bento XVI, em mensagem enviada ao arcebispo de Santo Domingo, cardeal Nicolas de Jesus Lopez Rodriguez, expressou sua esperança, na celebração dos 500 anos de criação da primeira diocese na América, desejando que este evento “traga abundantes frutos de fé e compromisso entre sacerdotes, religiosos e leigos que, com fervor, pregam o Evangelho”.

Além da arquidiocese de Santo Domingo, com a Bula Romanus Pontifex, o papa Julio II constituiu, no mesmo período, as circunscrições eclesiásticas de La Concepcion de la Vega, na ilha de Hispaniola, e a circunscrição de San Juan, em Porto Rico.

Desde a sua fundação, em 1511, a arquidiocese de Santo Domingo teve 43 bispos, 32 dos quais foram arcebispos e dois cardeais, além de diversos funcionários e administradores apostólicos.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Como trabalhar com fotografia documental e publicar na National Geographic

Acredito que a melhor maneira de viabilizar uma carreira em fotografia documental é ter uma outra atividade econômica que permita custear a primeira fase da formação profissional. Esse período pode durar pelo menos uns 10 anos, digo isso pela minha própria experiência. O chamado "mercado" de fotografia é ingrato e cruel, como dizem no interior do país, "é uma briga de foice no escuro." São pequenos trabalhos mal remunerados que dificilmente levam o profissional a um patamar mais elevado na arte fotográfica. Em primeiro lugar, deve-se fotografar para si mesmo e ninguém vai pagar por isso.


A mágica acontece atrás da câmera, o que interessa é desenvolver um olhar apurado. Mas com o tempo, nessa época de competição global, o ideal é ter um equipamento top de linha. Isso não transforma ninguém em melhor fotógrafo, apenas é uma ferramenta a mais na busca por um aprimoramento profissional.

A compra de boas câmeras, lentes, computadores e softwares é sempre um investimento alto, muito alto, talvez o preço de um bom carro zero km. Por várias vezes, no decorrer de uma década, vendi meus carros para comprar os melhores equipamentos possíveis. Para mim valeu a pena ficar a pé, ou com carro velho nesse período. Como em qualquer outro negócio, a pessoa tem que estar disposta a investir na sua atividade e o retorno pode ser longo, certamente mais longo do que em outros tipos de empreendimentos comerciais. É preciso estar preparado para passar por isso para ser bem sucedido.

Também é muito importante investir em formação profissional, pode ser faculdade e/ou bons cursos e workshops com profissionais renomados. Essa pode ser uma maneira de encurtar e acelerar o aprendizado na profissão, inclusive, se for possível, até mesmo estudar no exterior. Fotografia é um estilo de vida, muito mais do que somente uma profissão. Esse processo leva tempo e pode ter um preço alto em termos de padrão material de conforto, especialmente se houverem questões familiares envolvidas.

Uma vez dito isso, vou dar algumas orientações de como pode ser possível publicar na National Geographic Brasil. A revista é aberta para qualquer que tenha um bom trabalho e que apresente um tema de interesse para publicação. Deve-se conhecer muito bem a linha editorial do que é publicado, procurar no arquivo as matérias já divulgadas. Não adianta ter um material muito bom se ele não for original.

O primeiro passo consiste em dedicar-se a projeto pessoal de documentação de assuntos que venham interessar aos editores. Bancar-se durante essa oportunidade e fazer uma edição de imagens consistentes, que conte uma boa história. Feito isso, pode-se pensar em apresentar o ensaio para avaliação do editor senior, Ronaldo Ribeiro. Sempre entre em contato primeiro por e-mail e veja se existe interesse na proposta. Em caso positivo, pergunte qual seria a melhor data e horário para fazer uma visita, editores estão sempre muito atarefados.

Desejo uma boa sorte a todos, fico muito entusiasmado quando vejo novas revelações nessa área. Pode parecer muito óbvio e banal o que eu vou dizer: vale a pena acreditar em nossos sonhos, essa é matéria prima do nosso trabalho. Ansel Adans falou o seguinte: "Algumas pessoas ganham a vida com a fotografia, para outros a fotografia lhes dá a vida..."

Texto de

Izan Petterle - 28/05/2009